Dados é uma das principais e mais longevas publicações nas ciências sociais no Brasil. Criada em 1966, divulga trabalhos inéditos e inovadores, oriundos de pesquisa acadêmica, de autores brasileiros e estrangeiros. Editada pelo IESP-UERJ, é seu objetivo conciliar o rigor científico e a excelência acadêmica com ênfase no debate público a partir da análise de questões substantivas da sociedade e da política.
Dados vol. 63 n. 4 Rio de Janeiro 2020-11-13 2020
Resumo
A teoria decolonial latino-americana é construída em torno da tese da “colonialidade do conhecimento”, que afirma que o domínio sociopolítico da América Latina e de outras regiões da periferia global pelos países europeus e pelos Estados Unidos está diretamente relacionado à imposição colonial inicial e à subsequente reprodução cultural da chamada “epistemologia ocidental” e da ciência. Defendo que as reivindicações epistemológicas de quatro pensadores decoloniais (Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Enrique Dussel, Santiago Castro-Gómez) que compõem a tese da colonialidade do conhecimento são problemáticas por várias razões: baseiam-se em leituras distorcidas e simplistas de Descartes, Hume e outras figuras do Iluminismo; fazem generalizações controversas sobre a chamada epistemologia ocidental; e, em última instância, levam ao relativismo epistêmico, que é uma base problemática para as ciências sociais e, ao contrário das aspirações decoloniais, torna o subalterno incapaz de falar.
Palavras-chave: coloniality; decolonial theory; Descartes; epistemology; science
DOI: .1590/dados.2020.63.4.221
Epistemologia e Dominação: Problemas com a Tese da Colonialidade do Conhecimento na Teoria Decolonial Latino-Americana