{"id":2199,"date":"2021-11-19T13:42:48","date_gmt":"2021-11-19T13:42:48","guid":{"rendered":"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/?p=2199"},"modified":"2021-11-19T13:43:16","modified_gmt":"2021-11-19T13:43:16","slug":"transnacionalizacao-de-agricultores-familiares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/transnacionalizacao-de-agricultores-familiares\/","title":{"rendered":"Semana SciELO [A transnacionaliza\u00e7\u00e3o de agricultores familiares e camponeses brasileiros]"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-es\">Disculpa, pero esta entrada est\u00e1 disponible s\u00f3lo en <a href=\"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2199\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"Portugu\u00eas do Brasil\">Portugu\u00e9s De Brasil<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p>Em v\u00e1rias partes do mundo os camponeses e camponesas, contrariando a associa\u00e7\u00e3o ao tradicional, ao n\u00e3o moderno ou \u00e0 passividade, constroem a\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o, de contesta\u00e7\u00e3o e de protestos por meio de alian\u00e7as que sobrep\u00f5em origens nacionais (Borras e Edelman, 2016). No Brasil, a popula\u00e7\u00e3o rural engaja-se em debates e disputas, que perpassam conex\u00f5es transnacionais, por meio de organiza\u00e7\u00f5es sindicais e de movimentos sociais. A pesquisa \u201c<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.2.234\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Controv\u00e9rsias e a Produ\u00e7\u00e3o do Transnacional: Os Casos da Contag e do MPA<\/a>\u201d busca expandir o que sabemos sobre a atua\u00e7\u00e3o internacional dessas organiza\u00e7\u00f5es. Enquanto o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o brasileira mais conhecida por sua atua\u00e7\u00e3o internacional (Rosa, 2015), a proposta aqui foi acompanhar dois outros grupos. Um deles \u00e9 a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), mais antiga organiza\u00e7\u00e3o sindical rural do pa\u00eds, funda em 1964 e que mant\u00e9m conex\u00f5es com o sindicalismo internacional desde ent\u00e3o, mas foi expandindo e modificando esses la\u00e7os at\u00e9 se tornar uma lideran\u00e7a regional na apresenta\u00e7\u00e3o das demandas da agricultura familiar aos pa\u00edses do Mercosul e, a partir dessa experi\u00eancia, ganhar proje\u00e7\u00e3o internacional e envolver-se sobretudo em debates na Fao\/Onu. O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), criado na d\u00e9cada de 1990, depois de trazer para a sua plataforma pol\u00edtica formula\u00e7\u00f5es de camponeses inseridos em debates internacionais \u2013 em especial a ideia de soberania alimentar, proposta pela Via Campesina \u2013 estabeleceu-se como ator internacional a partir de uma agenda em torno da multiplica\u00e7\u00e3o e defesa de sementes crioulas e da biodiversidade a elas associada.<\/p>\n<p>Os processos de transnacionaliza\u00e7\u00e3o da Contag e do MPA s\u00e3o analisados a partir das controv\u00e9rsias nas quais se engajaram. O artigo busca provar o argumento de que controv\u00e9rsias s\u00e3o ferramentas \u00fateis para enfrentar os desafios colocados \u00e0s intera\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas que envolvem diversas fronteiras e escalas. Controv\u00e9rsias s\u00e3o disputas nas quais atores se envolvem e por meio das quais ficam vis\u00edveis as conex\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es que estabelecem. Trata-se de quest\u00f5es marcadas por desentendimentos e incertezas: pautas ainda n\u00e3o estabilizadas, cujos sentidos e composi\u00e7\u00f5es est\u00e3o em disputa. N\u00e3o se tratam, assim, de disputas entre os grupos aqui estudados, mas de quest\u00f5es nas quais cada um deles se envolveu ou ajudou a estabelecer. Nelas, tornam-se vis\u00edveis as conex\u00f5es estabelecidas pelos grupos em sua a\u00e7\u00e3o, dado que ao se posicionar precisam dizer o que pensam, com quem conversam e a que grupos se aliam ou se op\u00f5em. Disputas tamb\u00e9m s\u00e3o momentos prop\u00edcios para que novas conex\u00f5es (ou associa\u00e7\u00f5es) sejam estabelecidas.<\/p>\n<p>As controv\u00e9rsias transnacionais nas quais a Contag se envolveu, ou que ajudou a criar, foram organizadas em seis categorias: controv\u00e9rsias sindicais, condi\u00e7\u00f5es de trabalho, liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional, modelo de agricultura e presen\u00e7a das mulheres. A sexta controv\u00e9rsia, presen\u00e7a de jovens nos debates transnacionais, \u00e9 mencionada, mas n\u00e3o configura tema permanente.<\/p>\n<div id=\"attachment_8452\" class=\"wp-caption aligncenter\"><\/div>\n<p>Na experi\u00eancia do MPA, refer\u00eancias a quest\u00f5es internacionais estiveram presentes desde as primeiras pautas nacionais (1998, 2001 e 2002). Inclu\u00edram demandas pelo controle da importa\u00e7\u00e3o de alimentos e por subs\u00eddios e compensa\u00e7\u00f5es, como medidas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 agricultura nacional. Por\u00e9m, n\u00e3o foi pela via das controv\u00e9rsias sobre com\u00e9rcio internacional que o MPA construiu suas associa\u00e7\u00f5es transnacionais. Os debates priorizados e que produziram articula\u00e7\u00f5es duradouras foram aqueles relativos \u00e0 soberania alimentar, presentes desde 2001 nas pautas nacionais da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O artigo contribui com a literatura sobre transnacionaliza\u00e7\u00e3o de ativismos rurais porque ajuda a compreender como coletivos da mesma origem nacional e que articulam grupos rurais semelhantes \u2013 e por vezes superpostos, ainda que n\u00e3o id\u00eanticos \u2013, constroem trajet\u00f3rias transnacionais espec\u00edficas. Isso requer, conforme argumentou-se nesse artigo, compreender a diversidade das quest\u00f5es priorizadas e as maneiras encontradas para se inserir nos debates internacionais, por vezes questionando-os, por vezes incorporando-os como ferramentas para disputas nacionais em curso.<\/p>\n<p>A consolida\u00e7\u00e3o da inser\u00e7\u00e3o transnacional dos movimentos estudados ocorreu quando as organiza\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>a) formularam uma plataforma pol\u00edtica pr\u00f3pria, isto \u00e9, temas que pretendiam levar para os debates transnacionais ou sobre os quais pretendiam incidir, incluindo formula\u00e7\u00f5es sobre quais eram as disputas em quest\u00e3o e qual era sua contribui\u00e7\u00e3o para elas; e<\/p>\n<p>b) conseguiram ter papel em construir e manter as organiza\u00e7\u00f5es transnacionais com as quais se articulam. Isso ocorreu, nos casos aqui apresentados, quando as organiza\u00e7\u00f5es formularam (ou foram relevantes para a formula\u00e7\u00e3o de) maneiras pr\u00f3prias de agregar elementos. Quando fazem isso, elas se tornam centrais para as redes que estabelecem e sua transnacionaliza\u00e7\u00e3o muda de perfil: constroem mais articula\u00e7\u00f5es, independentes; carregam suas formula\u00e7\u00f5es para essas intera\u00e7\u00f5es e s\u00e3o levadas por elas a novas articula\u00e7\u00f5es, de modo que conex\u00f5es pr\u00e9vias passam a criar condi\u00e7\u00f5es para que novos la\u00e7os se estabele\u00e7am. Dessa maneira, produzem uma din\u00e2mica transnacional mais intensa e com maiores efeitos sobre as pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es, consolidando sua a\u00e7\u00e3o transnacional.<\/p>\n<p>As filia\u00e7\u00f5es de movimentos nacionais a redes internacionais n\u00e3o foram, por si s\u00f3, suficientes para determinar quais seriam as quest\u00f5es que constituiriam sua a\u00e7\u00e3o transnacional. Ao contr\u00e1rio, entre as possibilidades que o pertencimento a cada rede ou organiza\u00e7\u00e3o internacional abre, de maneira contingencial, cada organiza\u00e7\u00e3o fez escolhas, priorizou atividades e estabeleceu associa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Se v\u00e1rias tentativas foram frustradas, outras prosperaram e geraram novas associa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dados prov\u00eam de fontes documentais da Contag (anais de todos os seus congressos nacionais, relat\u00f3rios anuais e publica\u00e7\u00f5es como jornais e declara\u00e7\u00f5es) e do MPA (pautas nacionais, documentos p\u00fablicos mantidos por militantes do movimento e publica\u00e7\u00f5es reunidas durante visitas de campo). Foram consultados arquivos da CPT e do MST, assim como o Arquivo Lyndolpho Silva da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). As informa\u00e7\u00f5es, que abrangem o per\u00edodo desde a funda\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es at\u00e9 o ano de 2017, foram complementadas por entrevistas e observa\u00e7\u00f5es participantes. Entre 2015 e 2017 foram realizadas 15 entrevistas com militantes do MPA e outras 28 com ativistas ligados \u00e0 Contag (14 sindicalistas, seis assessores e oito ativistas ou funcion\u00e1rios de organiza\u00e7\u00f5es internacionais com as quais a Contag se relaciona).<\/p>\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p>ROSA, M. C. A journey with the movimento dos trabalhadores rurais sem terra (mst) across Brazil and on to South Africa.\u00a0<em>\u00c9tudes Rurales<\/em>\u00a0[online].2015, no.196, pp. 43-56\u00a0[viewed 28 September 2021].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4000\/etudesrurales.10371\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/doi.org\/10.4000\/etudesrurales.10371<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/etudesrurales\/10371\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/journals.openedition.org\/etudesrurales\/10371<\/a><\/p>\n<p>BORRAS Jr., S. and EDELMAN, M.\u00a0<em>Political dynamics of transnational agrarian movements<\/em>. Nova Scotia: Fernwood Publishing, 2016.<\/p>\n<h3>Para ler o artigo, acesse<\/h3>\n<p>CARVALHO, P. D. Controv\u00e9rsias e a Produ\u00e7\u00e3o do Transnacional: Os Casos da Contag e do MPA.\u00a0<em>Dados<\/em>\u00a0[online]. 2021, vol.64, no.02 [viewed 28 September 2021].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.2.234\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.2.234<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"http:\/\/ref.scielo.org\/dyfrv2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/ref.scielo.org\/dyfrv2<\/a><\/p>\n<h3>Links externos<\/h3>\n<p>Dados \u2013 Revista de Ci\u00eancias Sociais \u2013 DADOS:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/dados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.scielo.br\/dados<\/a><\/p>\n<p>P\u00e1gina Institucional do Peri\u00f3dico:\u00a0<a href=\"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/<\/a><\/p>\n<p>Priscila Delgado de Carvalho Lattes:\u00a0<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1686317804189819\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/lattes.cnpq.br\/1686317804189819<\/a><\/p>\n<p>Priscila Delgado de Carvalho:\u00a0<a href=\"https:\/\/scholar.google.com.br\/citations?user=C6K75KkAAAAJ&amp;hl=pt-BR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/scholar.google.com.br\/citations?user=C6K75KkAAAAJ&amp;hl=pt-BR<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este texto foi originalmente publicado na semana especial SciELO em Perspectiva: Humanas, 2021. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/2021\/09\/30\/a-transnacionalizacao-de-agricultores-familiares-e-camponeses-brasileiros\/#.YZenub3MK3I\">https:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/2021\/09\/30\/a-transnacionalizacao-de-agricultores-familiares-e-camponeses-brasileiros\/#.YZenub3MK3I<\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disculpa, pero esta entrada est\u00e1 disponible s\u00f3lo en Portugu\u00e9s De Brasil. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. 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