{"id":1971,"date":"2020-10-15T19:22:59","date_gmt":"2020-10-15T19:22:59","guid":{"rendered":"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/?p=1971"},"modified":"2020-10-15T19:42:47","modified_gmt":"2020-10-15T19:42:47","slug":"segregacao-de-genero-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/segregacao-de-genero-ensino-superior\/","title":{"rendered":"A segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero no ensino superior brasileiro, 2002-2016"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-es\">Disculpa, pero esta entrada est\u00e1 disponible s\u00f3lo en <a href=\"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1971\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"Portugu\u00eas do Brasil\">Portugu\u00e9s De Brasil<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/p>\n<p>No Brasil e no mundo, atualmente, mulheres t\u00eam em m\u00e9dia mais anos de estudo do que homens, assim como tamb\u00e9m maior presen\u00e7a nos n\u00edveis educacionais mais avan\u00e7ados: o ensino superior e a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Apesar disso, mulheres seguem apresentando desvantagem em v\u00e1rios resultados socioecon\u00f4micos como rendimentos, status ocupacional ou qualidade do emprego. Um componente importante para entender porque homens e mulheres t\u00eam retornos diferentes no mercado de trabalho \u00e9 a segrega\u00e7\u00e3o ocupacional. Os sal\u00e1rios de homens e mulheres n\u00e3o s\u00e3o iguais, em parte, porque eles e elas trabalham em diferentes ocupa\u00e7\u00f5es, e, em m\u00e9dia, as ocupa\u00e7\u00f5es com sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o masculina t\u00eam remunera\u00e7\u00e3o maior. Entre os indiv\u00edduos mais escolarizados este tipo de hiato se repete.<\/p>\n<p>Se entender a segrega\u00e7\u00e3o ocupacional \u00e9 importante, entender o que a alimenta tamb\u00e9m \u00e9. Isso significa dizer que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel compreender a segrega\u00e7\u00e3o ocupacional para homens e mulheres que atingem um ponto de alta escolariza\u00e7\u00e3o \u2013 o ensino superior \u2013 se analisamos a segrega\u00e7\u00e3o das escolhas educacionais antes da entrada no mercado de trabalho, ou seja, qual tipo de curso homens e mulheres frequentam. A seguir, resumimos nossa contribui\u00e7\u00e3o para este debate no \u00e2mbito da pesquisa \u201cAzul ou rosa? A segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero das escolhas educacionais no ensino superior brasileiro, 2002-2016\u201d realizada pela equipe do N\u00facleo Interdisciplinar de Estudos sobre a Desigualdade da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. A revers\u00e3o da desigualdade de g\u00eanero no ensino superior: o caso brasileiro<\/strong><\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1960, houve uma tend\u00eancia global de aumento do n\u00famero de estudantes matriculados no n\u00edvel superior de ensino, resultado de um processo de intensa expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o terci\u00e1ria em diversos pa\u00edses (SCHOFER e MEYER, 2005). Esse processo foi concomitante com uma maior participa\u00e7\u00e3o de mulheres em n\u00edveis educacionais mais elevados, provocando uma revers\u00e3o da tend\u00eancia da desigualdade de g\u00eanero nesses n\u00edveis de escolaridade, favorecendo mulheres ao redor do globo, inclusive no Brasil. Segundo Alves (2003), a revers\u00e3o do hiato de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o foi a maior conquista das mulheres brasileiras no s\u00e9culo passado. Beltr\u00e3o e Alves (2009), mobilizando dados de diferentes Censos Demogr\u00e1ficos, documentam quando ocorreu a revers\u00e3o desse hiato a favor das mulheres. Seguindo o grupo et\u00e1rio de 10-14 anos, os autores constatam que o fen\u00f4meno pode ser identificado desde o Censo de 1960.<\/p>\n<p>Nossos resultados endossam essa afirma\u00e7\u00e3o. Mobilizamos dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar de 2014 para entender o padr\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o de homens e mulheres com ensino superior conclu\u00eddo no pa\u00eds. Calculamos a raz\u00e3o de chances (<em>odds ratio<\/em>) para mulheres e homens com ensino superior completo para mulheres de 30 a 34 anos no Brasil. Para obter as chances de cada grupo, dividimos o n\u00famero total de homens e mulheres com ensino superior completo por aqueles que n\u00e3o o tinham. Em seguida, dividimos essas duas raz\u00f5es entre si, com as mulheres no numerador e os homens no denominador. O resultado final, isto \u00e9, a raz\u00e3o de chances, comunica se h\u00e1 paridade na representa\u00e7\u00e3o (se o n\u00famero for pr\u00f3ximo de 1), sub-representa\u00e7\u00e3o do grupo que est\u00e1 no numerador (n\u00famero menor que 1) ou sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o (n\u00famero maior que 1).<\/p>\n<p>Avaliando esse grupo, nossos resultados endossam o que outras pesquisas anteriores encontraram (BELTR\u00c3O e ALVES, 2009; RIBEIRO e SCHLEGEL, 2015): a sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o das mulheres entre os concluintes do ensino superior \u00e9 de 1,6. Ou seja, para cada homem com ensino superior de 30-34 anos em 2014 havia 1,6 mulheres. Comparado a resultados de outras pesquisas esse \u00e9 um sinal n\u00e3o apenas de sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o das mulheres mas tamb\u00e9m de sua intensifica\u00e7\u00e3o. Como avaliamos uma gera\u00e7\u00e3o diferente, somos capazes de sinalizar que o hiato n\u00e3o apenas existe, mas \u00e9 crescente e mais intenso nas gera\u00e7\u00f5es mais jovens.<\/p>\n<p>Esses resultados apontam que a desigualdade de g\u00eanero pode ser entendida em dois sentidos no pa\u00eds. Do ponto de vista do acesso a n\u00edveis de ensino mais elevados, a escolariza\u00e7\u00e3o masculina \u00e9 menor. Ou seja, dessa perspectiva, o grupo desprivilegiado \u00e9 o masculino. Cabe, ent\u00e3o, perguntar o porqu\u00ea. At\u00e9 onde pudemos identificar, a literatura sobre estratifica\u00e7\u00e3o educacional e sociologia da educa\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o apresenta evid\u00eancias sobre porque homens e mulheres reagem de forma diferente aos incentivos para permanecer no sistema educacional por mais tempo. A partir de um ponto do ciclo de vida, a perman\u00eancia na escola concorre com outros eventos, como a forma\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias, entrada no mercado de trabalho e sa\u00edda da casa dos pais. A inter-rela\u00e7\u00e3o entre essas din\u00e2micas e a vida escolar parece ser a chave para entender porque o sistema escolar \u00e9, respectivamente, menos e mais atrativo para homens e mulheres no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. Qual tipo de curso homens e mulheres frequentam?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A maior presen\u00e7a das mulheres no ensino superior convive com outro resultado amplamente conhecido ao redor do mundo e tamb\u00e9m no Brasil: a segrega\u00e7\u00e3o das escolhas educacionais (BUCHMANN, DIPRETE e MCDANIEL, 2008). Mulheres e homens costumam escolher, sistematicamente, cursos de ensino superior diferentes. \u00a0Esses cursos alimentam carreiras com resultados muito distintos no mercado de trabalho, os cursos majoritariamente femininos, em m\u00e9dia, levam a carreiras com\u00a0menor retorno salarial e de status (CHARLES e BRADLEY, 2002; 2009).<\/p>\n<p>Para explicar esse padr\u00e3o, a literatura geralmente recorre a um tipo de explica\u00e7\u00e3o culturalista. Os conceitos de estere\u00f3tipos de g\u00eanero e essencialismo de g\u00eanero s\u00e3o centrais na estrutura\u00e7\u00e3o do racioc\u00ednio. Nessa linha de argumenta\u00e7\u00e3o uma escolha educacional \u00e9 feita como forma de se enquadrar nas expectativas societais dos comportamentos apropriados para cada g\u00eanero. No Ocidente, os padr\u00f5es mais tipicamente encontrados associam tarefas anal\u00edticas e manuais a signos masculinos, e tarefas art\u00edsticas e de cuidado a signos femininos. As refer\u00eancias culturais s\u00e3o a base para entender os padr\u00f5es emp\u00edricos tipicamente encontrados: a sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o de mulheres ligadas a carreiras humanistas e de cuidado e de homens em carreiras cient\u00edficas e t\u00e9cnicas (BARONE, 2011).<\/p>\n<p>Remetendo aos conceitos de <em>estere\u00f3tipos <\/em>e <em>essencialismo de g\u00eanero<\/em>, soci\u00f3logas apontam que estudantes est\u00e3o enraizados em um ambiente saturado de informa\u00e7\u00f5es sobre o que constitui um comportamento \u00abadequado\u00bb, estereotipado do ponto de vista do g\u00eanero, e constantemente refor\u00e7ado por pais, professores e outros membros de suas redes de sociabilidade. Ou seja, o processo de escolariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 neutro no que se refere \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, tendo em vista que alunas e alunos s\u00e3o instados cotidianamente a expressar cren\u00e7as e aspira\u00e7\u00f5es que se encaixem nas categorias de g\u00eanero mais prevalentes e frequentemente ligadas a estere\u00f3tipos masculinos e femininos.<\/p>\n<p>Os argumentos culturalistas tamb\u00e9m destacam como os estere\u00f3tipos de g\u00eanero est\u00e3o ligados \u00e0 propens\u00e3o \u00abnatural\u00bb de mulheres se ligarem \u00e0s atividades de cuidado (CECH, 2014). Mas o que significa o termo \u201ccuidado\u201d? A literatura sobre rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e trabalho aponta que ocupa\u00e7\u00f5es ligadas ao cuidado t\u00eam duas caracter\u00edsticas: a intera\u00e7\u00e3o face a face com clientes e tarefas ligadas diretamente ao seu bem-estar ou desenvolvimento pessoal (HIRATA e GUIMAR\u00c3ES, 2012). Logo, as carreiras ligadas ao \u201ccuidado\u201d seriam aquelas que, literalmente ou simbolicamente, envolveriam o componente de intera\u00e7\u00e3o e a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ligados ao bem-estar. Os estere\u00f3tipos de g\u00eanero operam via processos normativos e de socializa\u00e7\u00e3o que direcionam mulheres e homens para escolhas t\u00edpicas, segundo g\u00eanero, em suas carreiras. Implicitamente, h\u00e1 a sugest\u00e3o de que as prefer\u00eancias masculinas e femininas diferem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia (mais importante para elas) e ao trabalho (mais importante para eles). O resultado agregado, portanto, \u00e9 a segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero em carreiras ligadas aos cursos com conte\u00fado curricular referente ao cuidado em oposi\u00e7\u00e3o aos conte\u00fados t\u00e9cnicos (WEEDEN, GELBGISER e MORGAN, 2020b).<\/p>\n<p>Mobilizando o Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior (CES) de 2002 e 2016 (INEP, 2003; INEP, 2017) investigamos se esses padr\u00f5es identificados em outros pa\u00edses se repetem no Brasil. Recorremos novamente ao racioc\u00ednio da raz\u00e3o de chances: quanto mais pr\u00f3xima de um, mais pr\u00f3ximo da paridade de representa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero est\u00e1 aquele grupo de cursos. Uma raz\u00e3o de chances maior do que um indica que o evento tem maior probabilidade de ocorrer no primeiro grupo. A seguir, separamos duas an\u00e1lises que se focam em cursos majoritariamente femininos em 2002 e 2016 e depois em cursos masculinos em ambos per\u00edodos. Uma interpreta\u00e7\u00e3o intuitiva dos gr\u00e1ficos se refere a quantas vezes mais matr\u00edculas de um grupo podem ser encontradas em um grupo de cursos. Por exemplo, uma raz\u00e3o de chance de 2, com as chances femininas no numerador e masculinas no denominador, indica que, para cada matr\u00edcula masculina, se encontram 2 matr\u00edculas femininas naquele grupo de curso.<\/p>\n<p>A <strong>Figura 1<\/strong> foi feita com mulheres no numerador e a <strong>Figura 2<\/strong> com homens. Logo, a primeira figura apresenta a intensidade da sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o femininas em cursos que tinham maioria de mulheres nos dois anos. A segunda figura se foca na sobrerreperesenta\u00e7\u00e3o masculina. Um primeiro resultado dessa an\u00e1lise e da compara\u00e7\u00e3o dos cursos em cada figura \u00e9 que dos 63 grupos de curso pass\u00edveis de serem analisados, 57 seguem sendo predominantemente femininos ou masculinos entre 2002 e 2016. Vamos nos concentrar nesses cursos, os outros seis grupos (Hist\u00f3ria e Arqueologia; Filosofia e \u00c9tica; Contabilidade e Tributa\u00e7\u00e3o; T\u00eaxtil, Roupas, Cal\u00e7ados e Couro; Veterin\u00e1ria; Medicina) inverteram a dire\u00e7\u00e3o da segrega\u00e7\u00e3o &#8211; o leitor interessado pode encontrar em contato para uma vers\u00e3o completa da pesquisa.<\/p>\n<p>Nossos resultados apontam que entre os cursos com maior presen\u00e7a feminina, 11 grupos diminu\u00edram a segrega\u00e7\u00e3o enquanto entre cursos masculinos 18 tiveram a segrega\u00e7\u00e3o reduzida. Isso pode ser visualmente identificado analisando as figuras. Se o c\u00edrculo laranja estiver \u00e0 direita do azul, a sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o era maior em 2002. O contr\u00e1rio indica maior presen\u00e7a do grupo em 2016. Isso indica que a atratividade de cursos com sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 menor para homens do que os cursos de sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o masculina para as mulheres. Ainda assim, identificamos que a intensidade de segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 maior entre cursos masculinos do que femininos. Isso pode ser facilmente identificado pelo valor das raz\u00f5es de chance, expressas tanto no eixo horizontal do gr\u00e1fico como tamb\u00e9m no tamanho dos c\u00edrculos.<\/p>\n<p>Analisando as <strong>Figura 1<\/strong> e <strong>Figura 2<\/strong> temos um indicativo que o padr\u00e3o de segrega\u00e7\u00e3o mais saliente \u00e9 o cuidado-t\u00e9cnico e n\u00e3o o humanista-cient\u00edfico. Isso porque os cursos com sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o feminina s\u00e3o ligados ao cuidado enquanto os cursos com sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o masculina s\u00e3o aqueles com componente t\u00e9cnico, com poucas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um outro resultado de destaque \u00e9 que dois grupos de curso raramente citados nos estudos estrangeiros s\u00e3o muito importantes no Brasil e tiveram um comportamento na dire\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da segrega\u00e7\u00e3o das escolhas educacionais: Administra\u00e7\u00e3o e Cursos Correlatos e Direito. Ambos apresentaram uma virtual paridade de g\u00eanero em 2016. Como cursos dessas duas \u00e1reas concentram 27% das matr\u00edculas em 2002 e 26% em 2016, o que ocorre apenas nesses dois grupos de cursos ancora qualquer fen\u00f4meno relativo ao ensino superior brasileiro. Nesse sentido, o ensino superior brasileiro foge do padr\u00e3o internacional ao ter duas de suas \u00e1reas mais importantes com baixo n\u00edvel de segrega\u00e7\u00e3o em 2002, e menor ainda em 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Figura 1. Raz\u00f5es de chance entre matr\u00edculas femininas e masculinas no ensino superior brasileiro em nos grupos de curso que t\u00eam sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o feminina em 2002 e 2016*. Brasil, 2002 e 2016.<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1973 size-full\" src=\"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura-1.png\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura-1.png 690w, https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura-1-300x187.png 300w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/p>\n<p><strong><u>Fonte:<\/u><\/strong> Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2002 e 2016, INEP (Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria).<\/p>\n<p>*Nota: O curso de \u201cServi\u00e7os de Beleza\u201d tinha uma raz\u00e3o de chances de 5 em 2002 e 30 em 2016. Excluimos o curso do gr\u00e1fico porque ele distorcia o eixo. Esse \u00e9 o grupo de cursos com maior despropor\u00e7\u00e3o de matr\u00edculas femininas e masculinas no ensino superior brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Figura 2. Raz\u00f5es de chance entre matr\u00edculas masculinas e femininas no ensino superior brasileiro nos grupos de curso que t\u00eam sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o masculina em 2002 e 2016*. Brasil, 2002 e 2016.<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-1974 size-full\" src=\"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura-2.png\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"431\" srcset=\"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura-2.png 690w, https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Figura-2-300x187.png 300w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/p>\n<p><strong><u>Fonte:<\/u><\/strong> Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2002 e 2016, INEP (Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 conclus\u00e3o, as mulheres levam vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos homens, pelo maior n\u00famero de matr\u00edculas, desde a segunda metade da d\u00e9cada de 1970. Conseguimos chegar a gera\u00e7\u00f5es mais recentes do que as anteriormente alcan\u00e7adas por outras pesquisas, descobrindo que a despropor\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o no ensino superior em favor das mulheres aumentou.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que mulheres se tornaram maioria no sistema, ainda h\u00e1 significativa concentra\u00e7\u00e3o em determinadas \u00e1reas e pouca representa\u00e7\u00e3o em outras. A partir dos dados do CES observamos a configura\u00e7\u00e3o de campos femininos, caracterizados por grupos de cursos principalmente ligados ao cuidado, e campos masculinos majoritariamente ligados \u00e0s \u00e1reas t\u00e9cnicas, mostrando o quanto a segrega\u00e7\u00e3o horizontal \u00e9 mais resistente \u00e0 mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da literatura internacional, que tem destacado a estabilidade da segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, os dados brasileiros se mostram heterog\u00eaneos em todas as dire\u00e7\u00f5es. H\u00e1 cursos que reduziram a segrega\u00e7\u00e3o, aumentaram ou a inverteram. Observamos que as mulheres fizeram o caminho de inser\u00e7\u00e3o nos campos masculinos de forma mais intensa do que os homens no sentido oposto, o que \u00e9 explicado pelo maior incentivo a mulheres adentrando \u00e1reas \u201cmasculinas\u201d do que o contr\u00e1rio, j\u00e1 que \u00e1reas femininas s\u00e3o desvalorizadas social e economicamente.<\/p>\n<p>Com esta pesquisa procuramos contribuir para apresentar os n\u00fameros que confirmam a preval\u00eancia da desigualdade de g\u00eanero no pa\u00eds, onde ela se concentra e como ela se comporta ao longo do tempo. Um passo importante para o futuro seria estruturar pesquisas longitudinais para entender os mecanismos que estruturam os padr\u00f5es agregados das escolhas que alimentam a segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Equipe do <a href=\"http:\/\/www.niedifcs.net\/\">N\u00facleo Interdisciplinar de Estudos sobre Desigualdade do IFCS-UFRJ<\/a><\/p>\n<p>Vivian de Almeida\u00a0(Estudante de Ci\u00eancias Sociais IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>Flavio Carvalhaes (Professor do Departamento de Sociologia IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>Pedro Elgaly\u00a0(Estudante de Ci\u00eancias Sociais IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>Luiza Herculano Houzel\u00a0(Estudante de Ci\u00eancias Sociais IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>Carolina Medeiros\u00a0(Estudante de Ci\u00eancias Sociais IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>Tayn\u00e1 Mendes\u00a0(Estudante de Ci\u00eancias Sociais IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>Bruna Aparecida Milanski\u00a0(Estudante de Ci\u00eancias Sociais IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>Fl\u00e1via Eduarda Rocha (Estudante de Mestrado em Sociologia, PPGSA-IFCS-UFRJ)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Este post resume a pesquisa <em>Azul ou rosa? A segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero das escolhas educacionais no ensino superior brasileiro, 2002-2016. <\/em>Uma vers\u00e3o preprint do artigo completo est\u00e1 dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/papers.cfm?abstract_id=3682320\">https:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/papers.cfm?abstract_id=3682320<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas\u00a0<\/strong><u><\/u><\/p>\n<p>ALVES, Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz.\u00a0 (2003), <em>Mulheres em movimento<\/em>: voto, educa\u00e7\u00e3o e trabalho.\u00a0\u00a0 REM.<\/p>\n<p>BARONE, Carlo. (2011), \u00abSome Things Never Change: Gender Segregation in Higher Education across Eight Nations and Three Decades\u00bb. <em>Sociology of Education<\/em>, 84, 2: 157-176.<\/p>\n<p>BELTR\u00c3O, Kaiz\u00f4 Iwakami; ALVES, Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz. (2009), \u00abA revers\u00e3o do hiato de g\u00eanero na educa\u00e7\u00e3o brasileira no s\u00e9culo XX\u00bb. <em>Cadernos de Pesquisa<\/em>, 39, 136: 125-156.<\/p>\n<p>BUCHMANN, Claudia; DIPRETE, Thomas A.; MCDANIEL, Anne. (2008), \u00abGender Inequalities in Education\u00bb. <em>Annual Review of Sociology<\/em>, 34, 1: 319-337.<\/p>\n<p>CECH, Erin. (2014), \u00abThe self-expressive edge of occupational sex segregation\u00bb. <em>American Journal of Sociology<\/em>, 119,\u00a0 747-789.<\/p>\n<p>CHARLES, Maria; BRADLEY, Karen. (2002), \u00abEqual but Separate? A Cross-National Study of Sex Segregation in Higher Education\u00bb. <em>American Sociological Review<\/em>, 67, 4: 573-599.<\/p>\n<p>______. (2009), \u00abIndulging Our Gendered Selves? Sex Segregation by Field of Study in 44 Countries\u00bb. <em>American Journal of Sociology<\/em>, 114, 4: 924-976.<\/p>\n<p>HIRATA, Helena; GUIMAR\u00c3ES, Nadya.\u00a0 (2012), <em>Cuidado e Cuidadoras &#8211; as v\u00e1rias faces do trabalho do care<\/em>.\u00a0 S\u00e3o Paulo, Editora Atlas S.A.<\/p>\n<p>INEP. <em>Sinopse Estat\u00edstica da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2002<\/em>: Bras\u00edlia: INEP, Diretoria de Estat\u00edsticas Educacionais DEED 2003.<\/p>\n<p>______. <em>Instru\u00e7\u00f5es para utiliza\u00e7\u00e3o dos Microdados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior<\/em>: Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o 2017a.<\/p>\n<p>______. <em>Sinopse Estat\u00edstica da Educa\u00e7\u00e3o Superior 2016<\/em>: Bras\u00edlia: INEP, Diretoria de Estat\u00edsticas Educacionais DEED 2017b.<\/p>\n<p>RIBEIRO, Carlos Ant\u00f4nio Costa; SCHLEGEL, Rog\u00e9rio. (2015), \u00abEstratifica\u00e7\u00e3o horizontal da educa\u00e7\u00e3o superior no Brasil (1960 a 2010)\u00bb, in: ARRETCHE, M. (ed.),<em> Trajet\u00f3rias das desigualdades. Como o Brasil mudou nos \u00faltimos cienquenta anos,<\/em> Place, Published: Editora UNESP.<\/p>\n<p>SCHOFER, Evan; MEYER, John W. (2005), \u00abThe Worldwide Expansion of Higher Education in the Twentieth Century\u00bb. <em>American Sociological Review<\/em>, 70, 6: 898-920.<\/p>\n<p>WEEDEN, Kim A.; GELBGISER, Dafna; MORGAN, Stephen L. (2020b), \u00abPipeline Dreams: Occupational Plans and Gender Differences in STEM Major Persistence and Completion\u00bb. <em>Sociology of Education<\/em>,\u00a0 0038040720928484.<\/p>\n<p>ENGLAND, Paula. (2010), \u201cThe Gender Revolution: Uneven and Stalled\u201d. <em>Gender &amp; Society<\/em>, 24(2):149-166. doi:10.1177\/0891243210361475.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Como citar este post<\/h3>\n<p>ALMEIDA, Vivian de; CARVALHAES, Flavio; ELGALY Pedro; HOUZEL, Luiza Herculano; MEDEIROS, Carolina; MENDES, Tayn\u00e1; MILANSKI, Bruna Aparecida; ROCHA, Fl\u00e1via Eduarda. A segrega\u00e7\u00e3o de g\u00eanero no ensino superior brasileiro, 2002-2016.\u00a0<em>Blog DADOS<\/em>, 2020 [published 15 October 2020]. Available from:\u00a0<a href=\"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/segregacao-de-genero-ensino-superior\/\">http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/segregacao-de-genero-ensino-superior\/<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disculpa, pero esta entrada est\u00e1 disponible s\u00f3lo en Portugu\u00e9s De Brasil. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.Introdu\u00e7\u00e3o[1] No Brasil e no mundo, atualmente, mulheres t\u00eam em m\u00e9dia mais anos de estudo do que homens, assim como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1975,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[5],"tags":[38,52,50,51],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1971"}],"collection":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1971"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1971\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1986,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1971\/revisions\/1986"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1975"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}