{"id":1157,"date":"2019-05-14T18:35:00","date_gmt":"2019-05-14T18:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/?p=1157"},"modified":"2019-05-22T14:20:24","modified_gmt":"2019-05-22T14:20:24","slug":"maes-nao-ganham-menos-porque-tem-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/es\/maes-nao-ganham-menos-porque-tem-filhos\/","title":{"rendered":"M\u00e3es n\u00e3o ganham menos porque t\u00eam filhos"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content clearfix\">\n<div class=\"pf-content\">\n<p>Publicado no blog <a href=\"http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/2019\/05\/14\/maes-nao-ganham-menos-porque-tem-filhos\/\">Scielo em Perspectiva &#8211; Humanas<\/a> em 14\/5\/2019<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MNpeG4ttTWE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais investigaram o impacto que o n\u00famero de crian\u00e7as pequenas presentes no domic\u00edlio tem sobre a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e os sal\u00e1rios de homens e mulheres. G\u00eanero e classe t\u00eam permeado o debate sobre desigualdades no Brasil pelo menos desde o final dos anos 1970 (KERGOAT, 1978; SOUZA-LOBO, 2011), mas somente neste s\u00e9culo \u00e9 que a \u201cconsubstancialidade\u201d (KERGOAT, 1978; 2010) destas duas caracter\u00edsticas passou a ser sistematicamente investigada \u2013 tanto de inser\u00e7\u00e3o quanto de rendimento \u2013 no mercado de trabalho (SANTOS, 2008). No artigo \u201cDiferenciais de participa\u00e7\u00e3o laboral e rendimento por g\u00eanero e classes de renda: uma investiga\u00e7\u00e3o sobre o \u00f4nus da maternidade no Brasil\u201d publicado no peri\u00f3dico Dados \u2013 Revista de Ci\u00eancias Sociais (v. 62, n. 1), constataram que cada crian\u00e7a a mais no domic\u00edlio diminui em cerca de oito pontos percentuais a probabilidade de as mulheres de classe baixa trabalharem. J\u00e1 as m\u00e3es de classe alta parecem ser imunes \u00e0 chamada penalidade materna, j\u00e1 que tanto suas chances de estarem empregadas quanto o seu sal\u00e1rio s\u00e3o parecidos aos dos pais desta mesma classe.<\/p>\n<p>O estudo desmistifica duas fal\u00e1cias do senso comum. A primeira \u00e9 a que mulheres ganham sempre menos que os homens, e a segunda \u00e9 que ter filhos compromete o seu sucesso no mercado de trabalho. Estas duas afirma\u00e7\u00f5es incondicionais n\u00e3o se sustentam ao se considerar a classe de renda destas pessoas e ao se comparar homens e mulheres com n\u00edvel educacional, idade, ra\u00e7a e ocupa\u00e7\u00f5es similares. A pesquisa constatou que homens recebem sal\u00e1rios, em m\u00e9dia, 44% maiores que os das mulheres, mas reportou que se diminu\u00ed esta diferen\u00e7a para entre 7% e 27% ao se comparar pais e m\u00e3es com caracter\u00edsticas e inser\u00e7\u00e3o ocupacional parecidas.<\/p>\n<div id=\"attachment_5922\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><a href=\"http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/probabilidade_dados.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-5922 size-full\" src=\"http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/probabilidade_dados.jpg\" sizes=\"(max-width: 815px) 100vw, 815px\" srcset=\"http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/probabilidade_dados.jpg 815w, http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/probabilidade_dados-300x190.jpg 300w, http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/probabilidade_dados-768x485.jpg 768w, http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/probabilidade_dados-150x95.jpg 150w\" alt=\"\" width=\"815\" height=\"515\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Probabilidades de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, por sexo e segundo o n\u00famero de crian\u00e7as presentes no domic\u00edlio entre 0 e 5 anos de idade Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a partir dos dados da Pesquisa Dimens\u00f5es Sociais das Desigualdades, 2008.<\/p>\n<\/div>\n<p>Por um lado, entre os cinco por cento mais ricos da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram constatadas diferen\u00e7as significativas entre os sal\u00e1rios de homens e mulheres. Segundo os autores, melhores sal\u00e1rios permitem a compra de servi\u00e7os dom\u00e9sticos \u2013 bab\u00e1s, creches, restaurantes, servi\u00e7os de limpeza \u2013 e maior comprometimento com a especializa\u00e7\u00e3o profissional. As m\u00e3es de classe alta n\u00e3o precisam, necessariamente, optar entre cuidar da fam\u00edlia ou trabalhar fora de casa, j\u00e1 que a maior aflu\u00eancia de recursos lhes permite conciliar estas escolhas com maior conforto que aquelas em classes mais baixas.<\/p>\n<p>Por outro lado, as mulheres no extremo oposto da distribui\u00e7\u00e3o de renda, entre os cinco por cento mais pobres, est\u00e3o menos inseridas no mercado de trabalho e, entre as que trabalham, verificou-se um grave hiato salarial no qual os homens ganham entre 22% e 88% a mais que as mulheres. As discrep\u00e2ncias salariais, no entanto, n\u00e3o se devem ao n\u00famero de crian\u00e7as presentes no domic\u00edlio, mas poderiam ser atribu\u00eddas \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o\u00a0 de algumas ocupa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de classe baixa, ou \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a \u201coutras caracter\u00edsticas atreladas ao sal\u00e1rio, mas n\u00e3o captadas quantitativamente, tais como a efici\u00eancia individual, perseveran\u00e7a, autonomia, a habilidade de trabalhar em grupo, de resolver problemas, a intelig\u00eancia emocional, o grau de influ\u00eancia social, a dist\u00e2ncia do trabalho, a qualidade da escolaridade e outros aspectos cognitivos e n\u00e3o cognitivos influentes\u201d (MUNIZ; VENEROSO, 2019, p. 20).<\/p>\n<p>Os resultados apresentados baseiam-se em dados nacionalmente representativos de 2008, mas nada sugere que a realidade de hoje seja diferente daquela de dez anos atr\u00e1s.<\/p>\n<h6>Nota: As predi\u00e7\u00f5es assumem \u201ctipos ideais\u201d prevalentes na amostra: pessoas brancas, sem ajuda no domic\u00edlio e com as demais vari\u00e1veis cont\u00ednuas fixadas na m\u00e9dia. As barras representam intervalos de confian\u00e7a estat\u00edstica de 95%. A probabilidade m\u00e9dia de estar trabalhando, para ambos os sexos, \u00e9 igual a 0,62.<\/h6>\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p>KERGOAT, D. Ouvriers = ouvri\u00e8res? Propositions pour une articulation th\u00e9orique de deux variables: sexe et classe sociale.\u00a0<em>Critiques de l\u2019\u00c9conomie Politique<\/em>, v. 5, p. 65- 97, 1978.<\/p>\n<p>KERGOAT, D.\u00a0Din\u00e2mica e consubstancialidade das rela\u00e7\u00f5es sociais.<em>\u00a0Novos estud. \u2013 CEBRAP<\/em>, n. 86, p. 93-103, 2010. ISSN: 0101-3300 [viewed 12 May 2019]. DOI:\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0101-33002010000100005\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10.1590\/S0101-33002010000100005<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"http:\/\/ref.scielo.org\/fmskgb\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ref.scielo.org\/fmskgb<\/a><\/p>\n<p>SANTOS, J. A. F. Classe social e desigualdade de g\u00eanero no Brasil.\u00a0<em>Dados<\/em>, v. 51, n. 2, p. 353-402, 2008. ISSN: 0011-5258 [viewed 12 May 2019]. DOI:\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0011-52582008000200005\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10.1590\/S0011-52582008000200005<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"http:\/\/ref.scielo.org\/v8q78k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ref.scielo.org\/v8q78k<\/a><\/p>\n<p>SOUZA-LOBO, E.\u00a0<em>A classe oper\u00e1ria tem dois sexos<\/em>: trabalho, domina\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2011.<\/p>\n<h3>Para ler o artigo, acesse<\/h3>\n<p>MUNIZ, J. O. and VENEROSO, C. Z. Diferenciais de Participa\u00e7\u00e3o Laboral e Rendimento por G\u00eanero e Classes de Renda: uma Investiga\u00e7\u00e3o sobre o \u00d4nus da Maternidade no Brasil.\u00a0<em>Dados<\/em>, v. 62, n. 1, e20180252, 2019. ISSN: 0011-5258 [viewed 12 May 2019]. DOI:\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/001152582019169\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10.1590\/001152582019169<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"http:\/\/ref.scielo.org\/qvmnk9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/ref.scielo.org\/qvmnk9<\/a><\/p>\n<h3>Links externos<\/h3>\n<p>Dados \u2013 Revista de Ci\u00eancias Sociais \u2013 DADOS:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/dados\/\">www.scielo.br\/dados\/<\/a><\/p>\n<p>Gender pay gap 2019:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.payscale.com\/data-packages\/gender-pay-gap\/\">http:\/\/www.payscale.com\/data-packages\/gender-pay-gap\/<\/a><\/p>\n<p>Base de dados utilizada na pesquisa:\u00a0<a href=\"http:\/\/centrodametropole.fflch.usp.br\/pt-br\/download-de-dados\">http:\/\/centrodametropole.fflch.usp.br\/pt-br\/download-de-dados<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como citar este post [ISO 690\/2010]:<\/b><\/p>\n<div class=\"how-to-cite\">MUNIZ, J. O. M\u00e3es n\u00e3o ganham menos porque t\u00eam filhos [online].\u00a0<i>SciELO em Perspectiva: Humanas<\/i>, 2019 [viewed\u00a014 May 2019]. Available from: http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/2019\/05\/14\/maes-nao-ganham-menos-porque-tem-filhos\/<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry-meta-bottom\"><span class=\"cat-links\"><span class=\"entry-utility-prep entry-utility-prep-cat-links\">Posted in:<\/span>\u00a0<a href=\"http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/category\/press-releases\/\" rel=\"category tag\">Press Releases<\/a><\/span><span class=\"entry-meta-sep\">\u00a0,\u00a0<\/span><span class=\"tag-links\"><span class=\"entry-utility-prep entry-utility-prep-tag-links\">Tagged:<\/span>\u00a0<a href=\"http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/tag\/ciencias-humanas\/\" rel=\"tag\">Ci\u00eancias humanas<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/tag\/ciencias-sociais\/\" rel=\"tag\">Ci\u00eancias sociais<\/a><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicado no blog Scielo em Perspectiva &#8211; Humanas em 14\/5\/2019 Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais investigaram o impacto que o n\u00famero de crian\u00e7as pequenas presentes no domic\u00edlio tem sobre a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e os sal\u00e1rios de homens e mulheres. 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