{"id":2609,"date":"2023-11-10T16:51:58","date_gmt":"2023-11-10T16:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/?p=2609"},"modified":"2023-11-10T16:51:58","modified_gmt":"2023-11-10T16:51:58","slug":"revista-dados-cria-editoria-especializada-em-replicabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/revista-dados-cria-editoria-especializada-em-replicabilidade\/","title":{"rendered":"Revista DADOS cria editoria especializada em replicabilidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2609\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"Portugu\u00eas do Brasil\">Brazilian Portuguese<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p><\/p>\n<h3>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>A partir deste ano, a\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revista DADOS<\/a><\/em>\u00a0contar\u00e1 com uma editoria especificamente constitu\u00edda para lidar com as quest\u00f5es de replicabilidade de seus artigos. Desde sua funda\u00e7\u00e3o, em 1966, a publica\u00e7\u00e3o tem constru\u00eddo seu nome com o compromisso de produzir informa\u00e7\u00f5es objetivas e v\u00e1lidas sobre o mundo social. Esse compromisso englobou a ruptura com o ensa\u00edsmo em prol de uma vis\u00e3o mais sistem\u00e1tica de pesquisa, que determinou a divulga\u00e7\u00e3o de manuscritos fortemente amparados em evid\u00eancias emp\u00edricas.<\/p>\n<p>Dando continuidade \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o,\u00a0<em>DADOS<\/em>\u00a0vive junto com os demais peri\u00f3dicos brasileiros e internacionais uma revolu\u00e7\u00e3o no mundo cient\u00edfico, postulada pelo movimento de ci\u00eancia aberta, que, dentre outras coisas, tem a ver com os processos de disponibiliza\u00e7\u00e3o e replica\u00e7\u00e3o de dados. Para acompanhar as recentes mudan\u00e7as, adotamos uma Editoria de Replicabilidade, assumida agora pelo professor do\u00a0<a href=\"https:\/\/iesp.uerj.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ<\/a>), o cientista pol\u00edtico Bruno Schaefer.<\/p>\n<p>O presente texto est\u00e1 dividido em sete se\u00e7\u00f5es e discute a import\u00e2ncia da replicabilidade em ci\u00eancias sociais; o conceito de replicabilidade que utilizamos no processo editorial de\u00a0<em>DADOS<\/em>; as diferen\u00e7as de replicabilidade entre pesquisa quantitativa e qualitativa; as experi\u00eancias internacionais e nacionais no tema; as quest\u00f5es \u00e9ticas envolvidas na replicabilidade; e, por fim, os impactos no fluxo de trabalho e na gest\u00e3o das submiss\u00f5es \u00e0 revista.<\/p>\n<h3>2. O que significa replicabilidade e por que isso importa?<\/h3>\n<p>H\u00e1 quase duas d\u00e9cadas o debate sobre a \u201ccrise de replicabilidade\u201d \u00e9 um espectro que ronda a pr\u00e1tica cient\u00edfica, seja nas ci\u00eancias mais \u201cduras\u201d (qu\u00edmica, f\u00edsica, biologia), seja nas ci\u00eancias sociais (psicologia, economia, ci\u00eancia pol\u00edtica, sociologia, entre outras)\u00a0<a href=\"https:\/\/www.zotero.org\/google-docs\/?YdbvC8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(Piper 2020)<\/a>. O artigo de Ioannidis,\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pmed.0020124\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Why Most Published Research Findings Are False<\/em><\/a><sup>1<\/sup>\u00a0, publicado em 2005, postulou que grande parte de estudos randomizados no campo da epidemiologia possuem resultados falsos, dado que n\u00e3o s\u00e3o replic\u00e1veis. Esse achado envolveu principalmente a constata\u00e7\u00e3o de dois problemas: pesquisas com baixo n\u00famero de casos analisados e vi\u00e9s de signific\u00e2ncia estat\u00edstica. Tratou-se, portanto, da recorr\u00eancia de levantamentos com poucas evid\u00eancias emp\u00edricas e que \u201cfor\u00e7aram a barra\u201d para chegar a um p-valor de menos de 5%, crit\u00e9rio de confiabilidade. No campo da psicologia, um esfor\u00e7o de replica\u00e7\u00e3o de 100 experimentos que pressupunham infer\u00eancias causais, conseguiu encontrar os mesmos resultados em menos da metade deles. Na Ci\u00eancia Pol\u00edtica, o artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.3.242\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Transpar\u00eancia e Replica\u00e7\u00e3o na Ci\u00eancia Pol\u00edtica Brasileira: Um Primeiro Olhar\u00a0<\/a><sup>2<\/sup>\u00a0recentemente publicado na\u00a0<em>DADOS<\/em>\u00a0indicou desempenho ainda pior para a produ\u00e7\u00e3o brasileira. De um corpus com 197 manuscritos com algum tipo de an\u00e1lise quantitativa, somente 28% dos seus respectivos autores concordaram em compartilhar os dados e os c\u00f3digos, destes foi poss\u00edvel tentar replicar apenas 14%, com 5% de sucesso. Os problemas mais comuns no processo de replica\u00e7\u00e3o envolveram a aus\u00eancia de alguma rotina computacional (script), problemas com os resultados e problemas com os dados.<\/p>\n<p>Antes de analisarmos o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa \u201ccrise de replicabilidade\u201d \u00e9 importante entender o que o conceito significa. Para\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/insp.12104\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Janz (2016)<\/a>, replica\u00e7\u00e3o significa o: \u201cProcesso pelo qual os achados de um artigo publicado s\u00e3o reanalisados para confirmar, avan\u00e7ar ou desafiar os resultados originais\u201d<sup>3<\/sup>\u00a0(Tradu\u00e7\u00e3o livre). Para\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2307\/420301\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">King (1995)<\/a>, replicabilidade quer dizer: \u201c(\u2026) que existe informa\u00e7\u00e3o suficiente para compreender, avaliar e desenvolver um trabalho anterior, se uma terceira parte puder replicar os resultados sem qualquer informa\u00e7\u00e3o adicional do autor\u201d<sup>4<\/sup>\u00a0(Tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>Apesar das diferen\u00e7as entre os autores, um ponto em comum \u00e9 a ideia de que uma pesquisa replic\u00e1vel \u00e9 aquela que disponibiliza, de maneira clara, o processo de coleta, tratamento e an\u00e1lise dos dados, de modo que uma terceira parte possa seguir a mesma trilha e encontrar resultados semelhantes, seja analisando o mesmo material emp\u00edrico (banco de dados, por exemplo), seja aplicando o desenho de pesquisa para outros casos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1981-3821201900020001\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Figueiredo Filho,\u00a0<em>et al<\/em>\u00a0(2019)<\/a><sup>5<\/sup>\u00a0postulam sete raz\u00f5es para levarmos a s\u00e9rio a replicabilidade em Ci\u00eancias Sociais:<\/p>\n<ul type=\"disc\">\n<li>A disponibilidade de dados evita erros e m\u00e1s condutas. No primeiro caso, pesquisadores podem cometer erros no processo de an\u00e1lise de dados que ser\u00e3o corrigidos, uma vez que o material emp\u00edrico e as t\u00e9cnicas de an\u00e1lise est\u00e3o dispon\u00edveis para pareceristas e a comunidade cient\u00edfica, de modo amplo. No segundo caso, levar a replica\u00e7\u00e3o a s\u00e9rio possibilita que m\u00e1s-condutas (inven\u00e7\u00e3o de dados,\u00a0<em>p-hacking<\/em>, entre outras fraudes), sejam identificadas;<\/li>\n<li>Pensar na pesquisa a partir de padr\u00f5es de replica\u00e7\u00e3o facilita a pr\u00f3pria condu\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise. Quando sabemos que nossas an\u00e1lises poder\u00e3o ser replicadas, fazemos um esfor\u00e7o adicional para tornar mais claras nossas ideias e escolhas;<\/li>\n<li>Replica\u00e7\u00e3o facilita o processo de avalia\u00e7\u00e3o de trabalhos. Sem alguma possibilidade de replica\u00e7\u00e3o, somos obrigados a confiar cegamente no que est\u00e1 escrito, o que limita muito a avalia\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Materiais replic\u00e1veis auxiliam na acumula\u00e7\u00e3o de conhecimento e desenvolvimento do campo cient\u00edfico. Al\u00e9m de a pr\u00f3pria replica\u00e7\u00e3o proporcionar uma maior valida\u00e7\u00e3o das descobertas cient\u00edficas, ela garante a acessibilidade a evid\u00eancias e bancos de dados que antes ficavam completamente inacess\u00edveis a um p\u00fablico mais amplo;<\/li>\n<li>Replicabilidade incrementa a reputa\u00e7\u00e3o de pesquisadoras e pesquisadores;<\/li>\n<li>Disponibilizar material de pesquisa ajuda no processo de aprendizado e forma\u00e7\u00e3o de novas pesquisadoras;<\/li>\n<li>Replicabilidade aumenta o impacto do trabalho. Trabalhos que publicam suas bases de dados possuem mais cita\u00e7\u00f5es do que trabalhos que n\u00e3o o fazem\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pone.0225883\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(Christensen,\u00a0<em>et al<\/em>. 2019)<\/a>.<sup>6<\/sup><\/li>\n<\/ul>\n<h3>3. Replicabilidade, reprodu\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia<\/h3>\n<p>O conceito de replicabilidade muitas vezes \u00e9 utilizado como sin\u00f4nimo de outras pr\u00e1ticas, igualmente importantes: como reprodutibilidade ou transpar\u00eancia, o que pode gerar confus\u00e3o e ru\u00eddo. Transpar\u00eancia \u00e9 um conceito mais amplo, que envolve comunicar de maneira clara e aberta como os procedimentos da pesquisa foram realizados, como se d\u00e1 o caminho entre a pergunta de pesquisa e os resultados encontrados. Nesse sentido, a ideia de transpar\u00eancia dialoga com o movimento de ci\u00eancia aberta: \u201co amplo acesso \u00e0s fontes de conhecimento envolvidas e produzidas pelas pesquisas tem o intuito de maximizar a raz\u00e3o de ser da ci\u00eancia enquanto empreendimento cooperativo cultural e social.\u201d<sup>7<\/sup>\u00a0Ser transparente envolve capacidade de comunica\u00e7\u00e3o.\u00a0Reprodu\u00e7\u00e3o, ou reprodutibilidade, por sua vez, compreende a disponibiliza\u00e7\u00e3o do passo-a-passo da pesquisa, usualmente scripts ou rotinas computacionais que possibilitam a reprodu\u00e7\u00e3o do trabalho. Um trabalho reprodut\u00edvel \u00e9 aquele em que a rean\u00e1lise dos mesmos dados usando os mesmos m\u00e9todos produziria os mesmos resultados.<\/p>\n<p>Uma pesquisa s\u00f3 pode ser replic\u00e1vel se for transparente, bem como uma pesquisa \u00e9 reprodut\u00edvel se for replic\u00e1vel. O conceito envolve a necessidade de clareza no processo de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, que pode ou n\u00e3o ser reprodut\u00edvel a partir de rotinas computacionais. Em outras palavras, toda pesquisa replic\u00e1vel \u00e9 transparente, mas n\u00e3o necessariamente reprodut\u00edvel\u00a0<em>stricto sensu<\/em>, pois pode utilizar m\u00e9todos de coleta e an\u00e1lise de dados que n\u00e3o s\u00e3o diretamente reprodut\u00edveis (etnografia e outros m\u00e9todos qualitativos), ou n\u00e3o se utilizam de rotinas computacionais (<em>scripts<\/em>). O conceito de replicabilidade tamb\u00e9m \u00e9 mais amplo e subjaz \u00e0 ideia de que um mesmo desenho de pesquisa pode ser utilizado para outro material emp\u00edrico.<\/p>\n<p>Boa parte da \u201ccrise de replicabilidade\u201d envolve justamente a falha em replicar experimentos em outros contextos. Por exemplo, a realiza\u00e7\u00e3o de um experimento com alunos de gradua\u00e7\u00e3o que encontram resultados positivos para a hip\u00f3tese de que pessoas tendem a obedecer \u00e0s autoridades cegamente (experimento de Milgram), deve ser replic\u00e1vel em outro contexto (outros alunos e outra universidade).<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>DADOS<\/em>, adotamos como conceito de replicabilidade a ideia de que as pesquisas devem ser claras e transparentes quanto ao passo-a-passo metodol\u00f3gico (caminho entre problema e respostas), disponibilizar todos os dados necess\u00e1rios para que os mesmos resultados sejam encontrados e, quando poss\u00edvel, partilhar rotinas computacionais que facilitem a reprodu\u00e7\u00e3o dos achados.<\/p>\n<h3>4. Replicabilidade em pesquisa quantitativa e qualitativa<\/h3>\n<p>O debate sobre replicabilidade e reprodutibilidade \u00e9 bastante rico e n\u00e3o pretendemos dar conta dele todo aqui. O ponto que gostar\u00edamos de ressaltar \u00e9 que muitas vezes, em ci\u00eancias sociais, podemos tratar de problemas que n\u00e3o s\u00e3o diretamente replic\u00e1veis. O debate entre pesquisa qualitativa e quantitativa d\u00e1 corpo a esta quest\u00e3o. Em meados da d\u00e9cada de 90, King, Kehone &amp; Verba (doravante KKV) publicaram um livro seminal sobre metodologia em ci\u00eancias sociais, o\u00a0<em>Design Social Inquiry: scientific inference in qualitative research<\/em>.<sup>8<\/sup>\u00a0O argumento defendido pelos autores \u00e9 que o objetivo das ci\u00eancias sociais seria construir infer\u00eancias v\u00e1lidas, descritivas ou explicativas, sendo que pesquisas qualitativas e quantitativas teriam esta mesma l\u00f3gica. A ess\u00eancia da ci\u00eancia seria o m\u00e9todo, n\u00e3o os assuntos tratados.<\/p>\n<p>Neste sentido, os adeptos da abordagem qualitativa deveriam se atentar para o uso de estrat\u00e9gias metodol\u00f3gicas, j\u00e1 utilizadas pelos quantitativistas (em especial importadas da estat\u00edstica), que fossem capazes de construir infer\u00eancias v\u00e1lidas. Entre a descri\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno e a busca por uma ou v\u00e1rias causas, a pesquisa deveria se concentrar na busca de causalidade(s). Para os autores, infer\u00eancia se refere, portanto, ao processo no qual utilizamos informa\u00e7\u00f5es conhecidas (e dispon\u00edveis) para aprender sobre informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o conhecidas (e indispon\u00edveis).<\/p>\n<p>As cr\u00edticas \u00e0 proposta de KKV vieram de diversas frentes. Brady &amp; Collier (2004), por exemplo, em\u00a0<em>Rethinking Social Inquiry: Diverse Tools, Shared Standards<\/em><sup>9<\/sup>\u00a0atacam a no\u00e7\u00e3o de KKV de que a estrutura da abordagem quantitativa seria a \u00fanica possibilidade de se alcan\u00e7ar infer\u00eancias v\u00e1lidas ou um padr\u00e3o de cientificidade. Para Haverland e Yanow (2012), entre outros, seria tamb\u00e9m necess\u00e1rio tra\u00e7ar uma diferencia\u00e7\u00e3o entre m\u00e9todos e metodologia. Conforme esses \u00faltimos autores, a confus\u00e3o entre os termos tende a ocorrer in\u00fameras vezes, o que afeta a constru\u00e7\u00e3o de pesquisas e a an\u00e1lise dos resultados. Enquanto m\u00e9todo se refere \u00e0s ferramentas e t\u00e9cnicas utilizadas em um trabalho, metodologia se refere a um n\u00edvel mais abrangente, que diz respeito \u00e0s constru\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas e epistemol\u00f3gicas que balizam a ado\u00e7\u00e3o de um m\u00e9todo ou outro. Precisamente neste ponto \u00e9 que se tornaria necess\u00e1rio diferenciar a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento proposta por abordagens quantitativas ou qualitativas. Enquanto para os pesquisadores orientados por um desenho quantitativo a principal quest\u00e3o seria \u201cexplicar\u201d determinado fen\u00f4meno, grosso modo, o efeito de X\u00b9 e X\u00b2 sobre Y; pesquisadores orientados por um desenho qualitativo de pesquisa tendem a se concentrar na interpreta\u00e7\u00e3o e no sentido de determinados resultados.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>A Tale of Two Cultures: qualitative and quantitative research in social sciences<\/em>,<sup>10<\/sup>\u00a0Goertz &amp; Mahoney (2012) prop\u00f5em uma poss\u00edvel integra\u00e7\u00e3o entre as pesquisas qualitativas e quantitativas. Para os autores, \u00e9 necess\u00e1rio considerar que essas abordagens partem de posi\u00e7\u00f5es epistemol\u00f3gicas distintas. A pesquisa quantitativa parte de uma epistemologia objetivista (para n\u00e3o colocar o termo positivismo, utilizado erroneamente na maior parte das vezes), enquanto a pesquisa qualitativa parte de uma epistemologia construtivista ou interpretativista. Essa diferen\u00e7a seria, inclusive, matem\u00e1tica, tendo em vista que os primeiros se baseariam na estat\u00edstica e na probabilidade, enquanto os segundos na l\u00f3gica e na teoria dos conjuntos. No interior dessas pr\u00f3prias abordagens, ou \u201cculturas\u201d, haveria ainda divis\u00f5es: pesquisas quantitativas interessadas na realiza\u00e7\u00e3o de infer\u00eancias causais ou descritivas (o avan\u00e7o da computa\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>machine learning<\/em>, entre outros); e \u201cqualitativistas\u201d focadas na interpreta\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de sentidos (com Q mai\u00fasculo) ou que estejam trabalhando com m\u00e9todos qualitativos orientados por epistemologia objetivista, como QCA,\u00a0<em>process tracing<\/em>, entre outros.<\/p>\n<p>As distin\u00e7\u00f5es supramencionadas interessam aqui na medida em que se relacionam ao debate sobre replicabilidade. Estudos quantitativos usualmente s\u00e3o mais replic\u00e1veis, porque \u2013 de prefer\u00eancia \u2013 utilizam bancos de dados estruturados, rotinas computacionais e m\u00e9todos de an\u00e1lise que podem ser reproduzidos, assim como ampliados. Pesquisas qualitativas que utilizam m\u00e9todos como QCA ou\u00a0<em>process tracing<\/em>\u00a0seguem padr\u00f5es semelhantes. Agora, outras t\u00e9cnicas e m\u00e9todos s\u00e3o por natureza n\u00e3o reproduz\u00edveis. Como refazer uma etnografia? Voltar no tempo e observar, com os mesmos olhos, o mesmo fen\u00f4meno? Desta forma, em\u00a0<em>DADOS<\/em>\u00a0adotamos como padr\u00e3o em pesquisa quali realizadas a partir de epistemologia interpretativista, a ideia de que autores e autoras devem ser o mais transparentes poss\u00edvel na descri\u00e7\u00e3o de seus m\u00e9todos, sendo desej\u00e1vel que, junto aos papers, encaminhem anexos metodol\u00f3gicos que possam ser publicados: v\u00eddeos, transcri\u00e7\u00f5es e grava\u00e7\u00f5es de entrevistas, di\u00e1rios de campo, entre outros.<\/p>\n<p>A disponibiliza\u00e7\u00e3o desses materiais oriundos de pesquisas qualitativas cumpre outras duas fun\u00e7\u00f5es adicionais. Primeiro, ela garante que informa\u00e7\u00f5es complementares fiquem dispon\u00edveis para al\u00e9m dos limites, cada vez mais ex\u00edguos, de um artigo acad\u00eamico. Segundo, ela ajuda a preservar os dados oriundos das pesquisas quali que frequentemente se perdem encerrados em arquivos pessoais ou restritos. Por tudo isso,\u00a0<em>DADOS<\/em>\u00a0recomenda vivamente a disponibiliza\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias oriundas de pesquisas qualitativas (transcri\u00e7\u00f5es de entrevistas, v\u00eddeos, grava\u00e7\u00f5es, codifica\u00e7\u00f5es utilizadas para an\u00e1lise de conte\u00fado, di\u00e1rios de campo, entre outras).<\/p>\n<h3>5. Experi\u00eancias Nacionais e Internacionais<\/h3>\n<p>Apesar da \u201ccrise de replicabilidade\u201d ter chamado a aten\u00e7\u00e3o de cientistas no mundo todo, pol\u00edticas editoriais que, de fato, incentivem maior transpar\u00eancia, replica\u00e7\u00e3o e reprodutibilidade s\u00e3o minoria nas ci\u00eancias sociais.\u00a0No per\u00edodo recente, tem ocorrido um progresso nos esfor\u00e7os de disponibiliza\u00e7\u00e3o de dados e na ader\u00eancia de peri\u00f3dicos ao movimento de ci\u00eancia aberta. Na ci\u00eancia pol\u00edtica e na sociologia, \u00e1reas principais de atua\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>DADOS<\/em>, \u00e9 poss\u00edvel identificar um avan\u00e7o marcante das revistas com maior fator de impacto, caracterizado pela institui\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de replicabilidade em casos como a\u00a0<em>Political Analysis<\/em>, a\u00a0<em>American Political Science Review<\/em>, a\u00a0<em>American Journal of Political Science<\/em>\u00a0e a\u00a0<em>Sociological Methods &amp; Research<\/em>. A\u00a0<em>British Journal of Political Science<\/em>, por exemplo, passou a demandar que os autores depositem seus dados, o livro de c\u00f3digos, a rotina computacional e as tabelas, gr\u00e1ficos e figuras que geraram as an\u00e1lises.<\/p>\n<p>No contexto nacional, a\u00a0<em>Brazilian Political Science Review<\/em>\u00a0foi pioneira na disponibiliza\u00e7\u00e3o dos dados de artigos no reposit\u00f3rio\u00a0<em>Dataverse<\/em>\u00a0e, mais recentemente, aderiu a um processo de curadoria de dados: os mesmos s\u00e3o reproduzidos por editores\/as da revista e, uma vez encontrados os mesmos resultados, o artigo \u00e9 publicado.<\/p>\n<p>Em sentido mais amplo, iniciativas como a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.reprodutibilidade.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rede Brasileira de Reprodutibilidade (RBR)\u00a0<\/a>, buscam congregar diferentes organiza\u00e7\u00f5es e \u00e1reas do conhecimento: \u201c(\u2026) para promover ci\u00eancia rigorosa, confi\u00e1vel e transparente no Brasil\u201d.<sup>11<\/sup>\u00a0A cria\u00e7\u00e3o de um reposit\u00f3rio de dados brasileiro, o\u00a0<a href=\"https:\/\/lattesdata.cnpq.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lattes Data<\/a>, tamb\u00e9m demonstra um passo importante.<\/p>\n<h3>6. Quest\u00f5es \u00e9ticas da replicabilidade<\/h3>\n<p>A busca por replicabilidade atende a quest\u00f5es \u00e9ticas importantes, que v\u00e3o desde o controle de m\u00e1s pr\u00e1ticas cient\u00edficas at\u00e9 a disponibiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es valiosas para a sociedade que, muitas vezes, as financia com recursos p\u00fablicos. Mas a depender da natureza do dado, a replicabilidade pode suscitar problemas \u00e9ticos, que quase sempre t\u00eam a ver com o risco de identifica\u00e7\u00e3o direta ou indireta dos indiv\u00edduos ou organiza\u00e7\u00f5es que s\u00e3o foco de uma pesquisa.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o direta acontece quando elementos da identidade de um indiv\u00edduo ou organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o explicitamente inclu\u00eddos nas bases de dados enviadas para replica\u00e7\u00e3o. Nem sempre isso \u00e9 um problema, ao contr\u00e1rio. Figuras p\u00fablicas como pol\u00edticos e servidores p\u00fablicos t\u00eam muitos dos seus dados pessoais publicizados justamente para que haja um maior controle civil de suas atividades. Por\u00e9m, o mesmo n\u00e3o se aplica a todas as pessoas. H\u00e1 sujeitos cuja exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel, como menores de idade ou pessoas em conflito com a lei. Em tais casos, as bases de dados ou evid\u00eancias costumam ser desidentificadas, seja pela supress\u00e3o seja pela modifica\u00e7\u00e3o das vari\u00e1veis de identifica\u00e7\u00e3o (nome, CPF, endere\u00e7o etc.).<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o indireta, por seu turno, pode acontecer quando dados j\u00e1 desidentificados permitem, ainda assim, o conhecimento detalhado dos casos. Isso pode ocorrer em bases que re\u00fanem muitas informa\u00e7\u00f5es sobre casos espec\u00edficos. Mesmo n\u00e3o sabendo nenhuma informa\u00e7\u00e3o pessoal de um dado caso, eu posso localiz\u00e1-lo no mundo porque a base disponibilizada cont\u00e9m muitas informa\u00e7\u00f5es indiretas (ra\u00e7a, g\u00eanero, regi\u00e3o, instru\u00e7\u00e3o, idade etc,). Embora mais dif\u00edceis de avaliar, esses casos devem ser julgados em conjunto por autores(as) e editores(as), de modo a garantir a maior replicabilidade sem expor as popula\u00e7\u00f5es estudadas a qualquer risco.<\/p>\n<h3>7. A Editoria de Replicabilidade em Dados<\/h3>\n<p>Ponderados os aspectos conceituais e conjunturais, nesta se\u00e7\u00e3o descrevemos como funcionar\u00e1 a Editoria de Replicabilidade em\u00a0<em>DADOS<\/em>.\u00a0\u00c9 importante come\u00e7ar salientando que a cria\u00e7\u00e3o de tal fun\u00e7\u00e3o dialoga com iniciativas recentes de moderniza\u00e7\u00e3o da revista, que aderiu ao movimento de ci\u00eancia aberta, passando a receber submiss\u00f5es de\u00a0<em>preprints<\/em>\u00a0e a exigir o envio de bases de dados para incentivar a transpar\u00eancia nas avalia\u00e7\u00f5es das pesquisas. Ademais, tamb\u00e9m temos aprimorado as a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e institu\u00eddo pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o da diversidade e da equidade de g\u00eanero e ra\u00e7a entre pareceristas e autores.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, a revista j\u00e1 possui, em suas normas de submiss\u00e3o, orienta\u00e7\u00f5es para que pesquisadores enviem seus materiais de pesquisa detalhados, suas rotinas computacionais e outras informa\u00e7\u00f5es no momento de submiss\u00e3o do manuscrito para avalia\u00e7\u00e3o. Isto facilita o trabalho de verifica\u00e7\u00e3o preliminar da editoria e de pareceristas que, no entanto, n\u00e3o possuem as mesmas responsabilidades de um editor de replicabilidade. DADOS disp\u00f5e de uma p\u00e1gina no portal\u00a0<em><a href=\"https:\/\/dataverse.harvard.edu\/dataverse\/revistadados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dataverse<\/a><\/em>, que passar\u00e1 a publicar somente aquilo que, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o no desk review e na avalia\u00e7\u00e3o por pares, for autorizado pelo editor de replicabilidade.<\/p>\n<p>A principal mudan\u00e7a, portanto, \u00e9 que agora a revista passa a ter uma editoria espec\u00edfica para curadoria das evid\u00eancias cient\u00edficas apresentadas nos manuscritos. Isto significa que, mesmo se aceitos, os artigos s\u00f3 ser\u00e3o publicados quando seu material de an\u00e1lise for constatado como reproduz\u00edvel pelo editor de replicabilidade.\u00a0O processo da submiss\u00e3o at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o seguinte:<\/p>\n<ol>\n<li>Submiss\u00e3o do artigo (em formato pr\u00e9-print ou o tradicional);<\/li>\n<li>Desk-review;<\/li>\n<li>Indica\u00e7\u00e3o de pareceristas;<\/li>\n<li>Coment\u00e1rios e respostas de autores e autoras aos pareceres;<\/li>\n<li>Aprova\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o);<\/li>\n<li><strong>Curadoria de dados (replica\u00e7\u00e3o dos achados do artigo por editores\/as e assistentes da revista), o que envolver\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o entre autores\/as e a revista;<\/strong><\/li>\n<li>Publica\u00e7\u00e3o do artigo e disponibiliza\u00e7\u00e3o dos dados no reposit\u00f3rio Dataverse.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A a\u00e7\u00e3o visa garantir maior seguran\u00e7a e rigor nos achados que divulgamos, contribuir de maneira mais ampla com o processo de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento em ci\u00eancias sociais, bem como alinhar as pr\u00e1ticas editoriais da\u00a0<em>DADOS<\/em>\u00a0aos padr\u00f5es de replicabilidade nacionais e internacionais de ponta. Seguindo, deste modo, o paradigma de uma ci\u00eancia aberta. Em meio \u00e0 r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o nos instrumentos de trabalho e de comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica com o advento de variados recursos de intelig\u00eancia artificial, a promo\u00e7\u00e3o da transpar\u00eancia se faz cada vez mais necess\u00e1ria e ben\u00e9fica para as trocas entre a comunidade acad\u00eamica e o p\u00fablico em geral, podendo ainda ser uma ferramenta que potencializa a confian\u00e7a na ci\u00eancia.<\/p>\n<h3>Notas<\/h3>\n<p>1. IOANNIDIS, J.P.A. Why Most Published Research Findings Are False.\u00a0<em>PLOS Medicine<\/em>\u00a0[online]. 2005, vol. 2, no. 8, e124.\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pmed.0020124\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pmed.0020124<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosmedicine\/article?id=10.1371\/journal.pmed.0020124\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/journals.plos.org\/plosmedicine\/article?id=10.1371\/journal.pmed.0020124<\/a><\/p>\n<p>2. AVELINO, G., DESPOSATO, S. and MARDEGAN, I. Transparency and Replication in Brazilian Political Science: A First Look.\u00a0<em>Dados rev. ci\u00eanc. sociais<\/em>\u00a0[online]. \u00a02021, vol. 64, no. 3, e20190304 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.3.242\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.3.242<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/a\/4pMrxZVYv4pXypfGrRr55Nx\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/a\/4pMrxZVYv4pXypfGrRr55Nx\/<\/a><\/p>\n<p>3. JANZ, N. Bringing the Gold Standard into the Classroom: Replication in University Teaching.\u00a0<em>International Studies Perspectives<\/em>\u00a0[online]. 2016, vol. 17, no. 4, pp. 392\u2013407 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/insp.12104\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1111\/insp.12104<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/isp\/article-abstract\/17\/4\/392\/2528285?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/academic.oup.com\/isp\/article-abstract\/17\/4\/392\/2528285?redirectedFrom=fulltext<\/a><\/p>\n<p>4. KING, G. Replication, Replication.\u00a0<em>PS: Political Science &amp; Politics<\/em>\u00a0[online]. 1995, vol. 28, no. 3, pp. 444-452 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2307\/420301\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.2307\/420301<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/ps-political-science-and-politics\/article\/abs\/replication-replication\/85C204B396C5060963589BDC1A8E7357\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/ps-political-science-and-politics\/article\/abs\/replication-replication\/85C204B396C5060963589BDC1A8E7357<\/a><\/p>\n<p>5. FIGUEIREDO FILHO, D.\u00a0<em>et al.\u00a0<\/em>Seven Reasons Why: A User\u2019s Guide to Transparency and Reproducibility.\u00a0<em>Bras. Political Sci. Rev.<\/em>\u00a0\u00a0[online]. 2019, vol. 13, no. 2 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1981-3821201900020001\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/1981-3821201900020001<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/bpsr\/a\/sytyL4L63976XCHfK3d7Qjh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/bpsr\/a\/sytyL4L63976XCHfK3d7Qjh\/<\/a><\/p>\n<p>6. CHRISTENSEN, G.\u00a0<em>et al<\/em>. A Study of the Impact of Data Sharing on Article Citations Using Journal Policies as a Natural Experiment.\u00a0<em>PLoS One<\/em>\u00a0[online]. 2019, vol. 1, no. 12, e0225883 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371%2Fjournal.pone.0225883\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1371%2Fjournal.pone.0225883<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0225883\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0225883<\/a><\/p>\n<p>7. PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ci\u00eancia aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa \u2013 Parte I [online].\u00a0<em>SciELO em Perspectiva<\/em>, 2019 [viewed 20 October 2023]. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/blog.scielo.org\/blog\/2019\/08\/01\/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/blog.scielo.org\/blog\/2019\/08\/01\/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-i\/<\/a><\/p>\n<p>8. KING, G., KEOHANE, R.O. and VERBA, S. Designing Social Inquiry: Scientific Inference in Qualitative Research. Princeton: Princeton University Press, 2021.<\/p>\n<p>9. COLLIER, D. and BRADY, H.E. Rethinking Social Inquiry: Diverse Tools, Shared Standards. Lanham: Rowman &amp; Littlefield Publishers, 2004.<\/p>\n<p>10. GOERTZ, G. and MAHONEY, J. A tale of two cultures: Qualitative and quantitative research in the social sciences. Princeton: Princeton University Press, 2012.<\/p>\n<p>11. Rede Brasileira De Reprodutibilidade \u2013 Site Institucional:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.reprodutibilidade.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.reprodutibilidade.org<\/a><\/p>\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n<p>AVELINO, G., DESPOSATO, S. and MARDEGAN, I. Transparency and Replication in Brazilian Political Science: A First Look.\u00a0<em>Dados rev. ci\u00eanc. sociais<\/em>\u00a0[online]. \u00a02021, vol. 64, no. 3, e20190304 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.3.242\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2021.64.3.242<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/a\/4pMrxZVYv4pXypfGrRr55Nx\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/a\/4pMrxZVYv4pXypfGrRr55Nx\/<\/a><\/p>\n<p>CHRISTENSEN, G.\u00a0<em>et al<\/em>. A Study of the Impact of Data Sharing on Article Citations Using Journal Policies as a Natural Experiment.\u00a0<em>PLoS One<\/em>\u00a0[online]. 2019, vol. 1, no. 12, e0225883 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371%2Fjournal.pone.0225883\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1371%2Fjournal.pone.0225883<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0225883\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0225883<\/a><\/p>\n<p>DINIZ, D. \u00c9tica na pesquisa em ci\u00eancias humanas: novos desafios.\u00a0<em>Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva<\/em>\u00a0[online]. 2008, vol.13, no. 2, pp. 417\u201326 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/S1413-81232008000200017\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/S1413-81232008000200017<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/csc\/a\/QDNVw9nGF7X7b8Kf4LNvRVs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/csc\/a\/QDNVw9nGF7X7b8Kf4LNvRVs\/<\/a><\/p>\n<p>FIGUEIREDO FILHO, D.\u00a0<em>et al.\u00a0<\/em>Seven Reasons Why: A User\u2019s Guide to Transparency and Reproducibility.\u00a0<em>Bras. Political Sci. Rev.<\/em>\u00a0\u00a0[online]. 2019, vol. 13, no. 2 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1981-3821201900020001\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/1981-3821201900020001<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/bpsr\/a\/sytyL4L63976XCHfK3d7Qjh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/bpsr\/a\/sytyL4L63976XCHfK3d7Qjh\/<\/a><\/p>\n<p>GHERGHINA, S. and ALEXIA, K. Data Availability in Political Science Journals.\u00a0<em>European Political Science<\/em>\u00a0[online], vol. 12, no. 3, pp. 333\u201349 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1057\/eps.2013.8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1057\/eps.2013.8<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1057\/eps.2013.8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1057\/eps.2013.8<\/a><\/p>\n<p>GOERTZ, G. and MAHONEY, J. A tale of two cultures: Qualitative and quantitative research in the social sciences. Princeton: Princeton University Press, 2012.<\/p>\n<p>IOANNIDIS, J.P.A. Why Most Published Research Findings Are False.\u00a0<em>PLOS Medicine<\/em>\u00a0[online]. 2005, vol. 2, no. 8, e124.\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pmed.0020124\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1371\/journal.pmed.0020124<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosmedicine\/article?id=10.1371\/journal.pmed.0020124\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/journals.plos.org\/plosmedicine\/article?id=10.1371\/journal.pmed.0020124<\/a><\/p>\n<p>JANZ, N. Bringing the Gold Standard into the Classroom: Replication in University Teaching.\u00a0<em>International Studies Perspectives<\/em>\u00a0[online]. 2016, vol. 17, no. 4, pp. 392\u2013407 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/insp.12104\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1111\/insp.12104<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/isp\/article-abstract\/17\/4\/392\/2528285?redirectedFrom=fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/academic.oup.com\/isp\/article-abstract\/17\/4\/392\/2528285?redirectedFrom=fulltext<\/a><\/p>\n<p>KIDDER, L.H. and FINE, M. Qualitative and Quantitative Methods: When Stories Converge.\u00a0<em>New Directions for Program Evaluation<\/em>\u00a0[online]. 1987, vol. 35, pp. 57\u201375 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/ev.1459\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1002\/ev.1459<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/ev.1459\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/ev.1459<\/a><\/p>\n<p>KING, G., KEOHANE, R.O. and VERBA, S. Designing Social Inquiry: Scientific Inference in Qualitative Research. Princeton: Princeton University Press, 2021.<\/p>\n<p>KING, G. Replication, Replication.\u00a0<em>PS: Political Science &amp; Politics<\/em>\u00a0[online]. 1995, vol. 28, no. 3, pp. 444-452 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2307\/420301\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.2307\/420301<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/ps-political-science-and-politics\/article\/abs\/replication-replication\/85C204B396C5060963589BDC1A8E7357\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/ps-political-science-and-politics\/article\/abs\/replication-replication\/85C204B396C5060963589BDC1A8E7357<\/a><\/p>\n<p>MAKEL, M.C.,\u00a0<em>et al<\/em>. Replication is relevant to qualitative research.\u00a0<em>Educational Research and Evaluation<\/em>\u00a0[online]. 2022, vol. 27, vol. 1, pp. 215\u201319 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/13803611.2021.2022310\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/13803611.2021.2022310<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/13803611.2021.2022310\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/13803611.2021.2022310<\/a><\/p>\n<p>OPEN SCIENCE COLLABORATION. Estimating the reproducibility of psychological science.\u00a0<em>Science<\/em>\u00a0[online]. 2015, vol. 349, no. 6251, aac4716 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.aac4716\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.aac4716<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aac4716\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.aac4716<\/a><\/p>\n<p>PACKER, A.L. and SANTOS, S. Ci\u00eancia aberta e o novo modus operandi de comunicar pesquisa \u2013 Parte I [online].\u00a0<em>SciELO em Perspectiva<\/em>, 2019 [viewed 20 October 2023]. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/blog.scielo.org\/blog\/2019\/08\/01\/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/blog.scielo.org\/blog\/2019\/08\/01\/ciencia-aberta-e-o-novo-modus-operandi-de-comunicar-pesquisa-parte-i\/<\/a><\/p>\n<p>PIPER, K. Science Has Been in a \u2018Replication Crisis\u2019 for a Decade. Have We Learned Anything? [online]. Vox. 2020 [viewed 20 October 2023]. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vox.com\/future-perfect\/21504366\/science-replication-crisis-peer-review-statistics\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.vox.com\/future-perfect\/21504366\/science-replication-crisis-peer-review-statistics<\/a>.<\/p>\n<p>POWNALL, M. Is Replication Possible for Qualitative Research? [online].\u00a0<em>PsyArXiv<\/em>. 2022 [viewed 20 October 2023].\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.31234\/osf.io\/dwxeg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.31234\/osf.io\/dwxeg<\/a>. Available from:\u00a0<a href=\"https:\/\/osf.io\/preprints\/psyarxiv\/dwxeg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/osf.io\/preprints\/psyarxiv\/dwxeg\/<\/a><\/p>\n<p>SPINAK, E. Reprodu\u00e7\u00e3o e replica\u00e7\u00e3o na pesquisa cient\u00edfica \u2013 parte 1 [online]. SciELO em Perspectiva. 2023 [viewed 20 October 2023]. 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For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language. 1. Introdu\u00e7\u00e3o A partir deste ano, a\u00a0revista DADOS\u00a0contar\u00e1 com uma editoria especificamente constitu\u00edda para lidar com as quest\u00f5es de replicabilidade de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":2610,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2609"}],"collection":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2609"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2613,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2609\/revisions\/2613"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}