{"id":2555,"date":"2023-08-08T15:17:28","date_gmt":"2023-08-08T15:17:28","guid":{"rendered":"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/?p=2555"},"modified":"2023-08-08T15:42:14","modified_gmt":"2023-08-08T15:42:14","slug":"como-ideias-elites-importam-a-industrializacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/en\/como-ideias-elites-importam-a-industrializacao\/","title":{"rendered":"Como ideias e elites importam para a industrializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"qtranxs-available-languages-message qtranxs-available-languages-message-en\">Sorry, this entry is only available in <a href=\"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2555\" class=\"qtranxs-available-language-link qtranxs-available-language-link-pb\" title=\"Portugu\u00eas do Brasil\">Brazilian Portuguese<\/a>. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.<\/p><p>Foto de\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/pt-br\/@kevinmartinjose?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Kevin Martin Jose<\/a>\u00a0na\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/pt-br\/fotografias\/C-n4Ya4w8FE?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/p>\n<p>A literatura que estuda processos de transi\u00e7\u00e3o tardia de sociedades agr\u00e1rias para sociedades industrializadas em perspectiva comparada mobiliza diversas vari\u00e1veis para entender por que algumas s\u00e3o bem-sucedidas e outras n\u00e3o. Quase sempre, um argumento predominantemente institucionalista, centrado nas capacidades estatais, combina-se com a mobiliza\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis de outra natureza, notadamente os condicionantes hist\u00f3ricos dos processos de transi\u00e7\u00e3o e as conjunturas cr\u00edticas que servem de est\u00edmulo ou de obst\u00e1culo para que uma sociedade abandone o seu antigo modelo econ\u00f4mico (ver, por exemplo, Acemoglu e Robinson, 2012; Amsden, 1989; Chang, 2006; e Evans 1995).<\/p>\n<p>Uma outra parcela da literatura, por\u00e9m, sem abandonar a import\u00e2ncia das vari\u00e1veis acima identificadas, confere centralidade aos grupos que criam e conduzem essas institui\u00e7\u00f5es em momentos cr\u00edticos para o processo de transi\u00e7\u00e3o nas sociedades analisadas. Stephen Haggard (1990), David Waldner (1999), Atul Kohli (1999) e Elizabeth Thurbon (2016), por exemplo, defendem ir al\u00e9m de um argumento estritamente institucionalista, pois avaliam n\u00e3o ser poss\u00edvel derivar automaticamente as policies promotoras da industrializa\u00e7\u00e3o de certos par\u00e2metros institucionais. Para que as institui\u00e7\u00f5es produzam tais pol\u00edticas n\u00e3o basta que tenham capacidade para faz\u00ea-lo, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m que se combinem com a disposi\u00e7\u00e3o das elites para formul\u00e1-las e para construir as institui\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inspirado nessas proposi\u00e7\u00f5es, o artigo <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2023.66.4.302\">Elites, Estado e Industrializa\u00e7\u00e3o: uma An\u00e1lise Fuzzyset<\/a>, publicado no peri\u00f3dico <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/i\/2023.v66n4\/\">Dados \u2013 Revista de Ci\u00eancias Sociais, vol. 66, no. 4 (2023)<\/a>, procura testar a proposi\u00e7\u00e3o geral de que a presen\u00e7a de uma elite modernizadora, subjetivamente disposta a perseguir, numa dada conjuntura cr\u00edtica, o objetivo da industrializa\u00e7\u00e3o e capaz de forjar coaliz\u00f5es pol\u00edticas que a sustentem, \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento industrial em pa\u00edses tardios.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas hip\u00f3teses correlatas: i) a presen\u00e7a de uma elite subjetivamente orientada est\u00e1 intimamente vinculada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es estatais eficientes para a promo\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o, podendo assumir diferentes formas; ii) o tipo de Estado criado depende do tipo de elite em quest\u00e3o e a combina\u00e7\u00e3o entre essas duas vari\u00e1veis gera rotas distintas de transi\u00e7\u00e3o para sociedades industrializadas.<\/p>\n<p>As hip\u00f3teses s\u00e3o testadas com base na compara\u00e7\u00e3o entre treze casos que se propuseram a transitar de uma sociedade agr\u00e1ria para outra industrializada, em diferentes momentos do s\u00e9culo XX e com n\u00edveis distintos de \u00eaxito: tr\u00eas que fracassaram inteiramente nessa empreitada (Zaire, Nig\u00e9ria e Filipinas); cinco que obtiveram relativo sucesso (\u00cdndia, Chile, Argentina, M\u00e9xico e Brasil); e cinco que completaram essa transi\u00e7\u00e3o plenamente (Su\u00e9cia, Noruega, Coreia, Taiwan e Jap\u00e3o).<\/p>\n<p>O modelo anal\u00edtico, constru\u00eddo a partir do di\u00e1logo com a literatura, \u00e9 composto por quatro condi\u00e7\u00f5es causais (legado hist\u00f3rico, tipo de conjuntura cr\u00edtica, elite modernizadora e tipo de Estado) e uma vari\u00e1vel de resultado (industrializa\u00e7\u00e3o tardia). A rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre elas foi testada por meio de An\u00e1lise Qualitativa Comparativa, em sua variante para conjuntos difusos (fsQCA), abordagem adequada para analisar causalidade complexa. Em termos pr\u00e1ticos, trata-se de verificar se h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e\/ou suficientes para a ocorr\u00eancia de determinado fen\u00f4meno.<\/p>\n<p><em>A an\u00e1lise emp\u00edrica confirma as tr\u00eas hip\u00f3teses aventadas inicialmente. A primeira delas defende que a industrializa\u00e7\u00e3o tardia tem como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a presen\u00e7a de uma elite subjetivamente orientada e, ao mesmo tempo, capaz de construir coaliz\u00f5es que possam sustentar o objetivo industrializante \u2013 o que foi confirmado, para os casos considerados, pela an\u00e1lise de necessidade (ver Tabela 1).<\/em><\/p>\n<p><strong>Tabela 1 &#8211; An\u00e1lise da necessidade das condi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-2557 size-full\" src=\"http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/tabela.png\" alt=\"\" width=\"1844\" height=\"482\" srcset=\"https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/tabela.png 1844w, https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/tabela-300x78.png 300w, https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/tabela-1024x268.png 1024w, https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/tabela-768x201.png 768w, https:\/\/dados.iesp.uerj.br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/tabela-1536x401.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1844px) 100vw, 1844px\" \/><\/p>\n<pre>Fonte: Perissinotto, R. and Nunes, W. (2020).\r\n\r\nNotas: LH = legado hist\u00f3rico econ\u00f4mico e institucional; CC = conjuntura cr\u00edtica; EM = elite modernizante; TE = Tipo de Estado.<\/pre>\n<p>A segunda hip\u00f3tese prop\u00f5e que a presen\u00e7a desse tipo de elite est\u00e1 intimamente vinculada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es estatais que favore\u00e7am o desenvolvimento via industrializa\u00e7\u00e3o; ou seja, a presen\u00e7a da elite \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente. Isso foi confirmado pela an\u00e1lise de sufici\u00eancia, que mostrou que ao menos duas condi\u00e7\u00f5es (elite modernizadora e tipo de Estado) precisam estar presentes para que a industrializa\u00e7\u00e3o ocorra. Ou seja, elites com inten\u00e7\u00f5es modernizadoras precisam construir institui\u00e7\u00f5es que possam concretiz\u00e1-las.<\/p>\n<p>Por fim, a terceira hip\u00f3tese sugere que o tipo de Estado criado para viabilizar a industrializa\u00e7\u00e3o depende do tipo de elite que lidera o processo de constru\u00e7\u00e3o institucional. A implica\u00e7\u00e3o disso \u00e9 clara: combina\u00e7\u00f5es variadas entre diferentes tipos de elite e diferentes tipos de Estado podem gerar rotas distintas de transi\u00e7\u00e3o para sociedades industrializadas. Essa implica\u00e7\u00e3o permite, por exemplo, pensar em uma rota asi\u00e1tica (a partir de Jap\u00e3o, Cor\u00e9ia do Sul e Taiwan) e outra escandinava (com base em Su\u00e9cia e Noruega) para a industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Refer\u00eancias<\/h2>\n<p>ACEMOGLU, D. and ROBINSON, J. Por Que as Na\u00e7\u00f5es Fracassam: as Origens da Riqueza e da Pobreza. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.<\/p>\n<p>AMSDEN, A. Asia\u2019s Next Giant. South Korea and Late Industrialization. Oxford: Oxford University Press, 1989.<\/p>\n<p>CHANG, H.J. Kicking Away the Ladder. Developmental Strategy in Historical Perspective. London: Anthem Press, 2006.<\/p>\n<p>EVANS, P. Embedded Autonomy: States and Industrial Transformation. Princeton: Princeton University Press, 1995.<\/p>\n<p>HAGGARD, S. Pathways from the Periphery. The Politics of Growth in the Newly Industrializing Countries. Ithaca: Cornell University Press, 1990.<\/p>\n<p>KOHLI, A. Where do high growth political economies come from? The Japanese lineage of Korea\u2019s \u201cdevelopmental state\u201d. World development [online]. 1994, vol. 22, no. 9, pp. 1269-1293 [viewed 08 August 2023]. Available from: https:\/\/www.princeton.edu\/~kohli\/docs\/HighGrowth09_1994.pdf<\/p>\n<p>Thurbon, E. Developmental Mindset. The Revival of Financial Activism in South Korea. Ithaca: Cornell University Press, 2016.<\/p>\n<p>WALDNER, D. State Building and Late Development. Ithaca: Cornell University Press, 1999.<\/p>\n<h2>Para ler o artigo, acesse:<\/h2>\n<p>Perissinotto, Renato;\u00a0 Nunes, Wellington. (2023), &#8220;Estado e Industrializa\u00e7\u00e3o: uma An\u00e1lise Fuzzyset&#8221;. Dados, v. 66, n.4,\u00a0 [viewed 8 August 2023]. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2023.66.4.302\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/dados.2023.66.4.302<\/a>. Available from: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/a\/PJ3Jqq7VXVTnJHYBwDxjCDd\/?lang=pt#\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/dados\/a\/PJ3Jqq7VXVTnJHYBwDxjCDd\/?lang=pt#<\/a><\/p>\n<h2>Links externos<\/h2>\n<p>Dados \u2013 Revista de Ci\u00eancias Sociais: www.scielo.br\/dados<\/p>\n<p>P\u00e1gina Institucional do Peri\u00f3dico: http:\/\/dados.iesp.uerj.br\/<\/p>\n<p>P\u00e1ginas institucionais dos autores:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Renato-Perissinotto\">Renato Perissinotto: https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Renato-Perissinotto<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Wellington-Nunes-2\">Wellington Nunes: https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Wellington-Nunes-2<\/a><\/p>\n<h2>Como citar este post<\/h2>\n<p>Este texto foi previamente publicado no Blog SciELO em Perspectiva: Humanidades. Dispon\u00edvel em: https:\/\/humanas.blog.scielo.org\/blog\/2023\/08\/08\/como-ideias-e-elites-importam-para-a-industrializacao\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sorry, this entry is only available in Brazilian Portuguese. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. 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