Artigo



Dados vol. 63 n. 1 Rio de Janeiro 2020-05-08 2020

Valor Maravilha: Metamorfoses da Acumulação Capitalista no Espaço Portuário do Rio de Janeiro

Gonçalves, Guilherme; Costa, Sergio

Resumo

Diversos autores têm promovido uma renovação da teoria marxista da expansão capitalista por meio da retomada da noção de repetição da acumulação primitiva do capital. Tem-se a ideia de que o desenvolvimento do capitalismo sempre necessita recorrer a um “fora” não capitalista, isto é, precisa estender o processo de acumulação a espaços ainda não integrados às cadeias de produção de valor. Para isto, faz uso de violência explícita não econômica, como, por exemplo, a política colonial ou imperial, espoliações, leis sanguinárias etc. No presente artigo, estudamos as diferentes dimensões desse processo à luz da história da região portuária do Rio de Janeiro. Do ponto de vista teórico, isso possibilita repensar as categorias do debate citado a partir do conceito de acumulação entrelaçada, cunhado no artigo. Do ponto de vista empírico, sustentamos que a região portuária do Rio de Janeiro representa uma espécie de espaço-síntese, no interior do qual as diversas etapas históricas da acumulação capitalista aparecem materializadas na forma de um movimento de incorporação e desacoplamento de tal região aos processos de transformação do espaço socialmente construído em mercadoria.

Palavras-chave: acumulação primitiva; expansão do capitalismo; porto do Rio de Janeiro; escravidão

DOI: 10.1590/001152582020201

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Valor Maravilha: Metamorfoses da Acumulação Capitalista no Espaço Portuário do Rio de Janeiro